Alta dos insumos agrícolas vai refletir no prato do consumidor

Com inflação a 9,22%, cesta básica deve apresentar aumento maior do que em abril

Índices em Campo Grande – IBGE/DIEESE

Em abril, o preço da cesta básica em Campo Grande apresentou a maior alta entre as capitais. O conjunto de alimentos custou 6,02% a mais no bolso do consumidor, saindo de R$ 552,99 em março para R$ 586,26 em abril, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A alta, no entanto, começa no início da cadeia produtiva. O produtor rural observou um aumento de 13% no preço dos insumos agrícolas, na comparação com a última safra, em 2020. Com o aumento do custo da produção, somado à alta do dólar, muitos alimentos podem ter novos reajustes nos próximos meses.

De acordo com a analista técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), Eliamar Oliveira, o insumos que correspondem a materiais como fertilizantes, herbicidas e fungicidas representaram 61,46% do custo total das lavouras em Mato Grosso do Sul.

Ainda segundo Eliamar, para a próxima safra, esse impacto será ainda maior. “Para a safra de soja 2021/2022, o impacto será maior, já que estamos no período de pré-custeio e neste momento o custo por hectare com esses insumos registra alta de 20%”, avalia.

CONSUMIDOR

A alta na hora de produzir os alimentos impacta diretamente no bolso do consumidor final, de acordo com os especialistas ouvidos pelo Correio do Estado.

“Vimos uma alta do dólar e, quando o custo [para produção] aumenta, vemos um aumento também no preço final. A faixa de consumidor que mais sofre com isso é a de baixa renda, isso porque os produtos a apresentarem maior aumento são os que vão na cesta básica”, explica o doutor em Economia Michel Constantino.

No mês passado, o aumento da cesta básica em Campo Grande foi puxado pela alta no preço do tomate, que ficou 12,90% mais caro, com preço médio de R$ 4,20 o quilo. O café em pó também teve aumento expressivo, de 11,62%, sendo reflexo da menor oferta do grão e da negação de vendas futuras a preços altos.

Também ficaram mais caros o feijão-carioquinha (8,97%), a manteiga (8,82%), o pão francês (7,58%), a batata (6,61%), o açúcar cristal (6,11%), a carne bovina (5,92%), a farinha de trigo (5,57%), o óleo de soja (5,52%), a banana (1,34%) e o leite de caixinha (0,89%).

Para a supervisora técnica do Dieese em MS, Andreia Ferreira, os hortifrutigranjeiros sofrerão com reajustes imediatos e, posteriormente, os industrializados também podem sentir os custos já conferidos no campo.

“Imediatamente para os produtos do campo, mas entendo que haverá rebatimentos para os produtos processados e industrializados, como o café, por exemplo. De imediato, vejo aumento para produtos como os hortifrútis”, analisa Andreia.

INFLAÇÃO

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou nova alta em abril. A inflação oficial foi de 0,31% no País e de 0,46% em Campo Grande, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já a inflação acumulada dos últimos 12 meses fechou em 6,76% na média nacional, enquanto a capital sul-mato-grossense acumula 9,22%. Segundo os economistas, a inflação acumulada pode significar um aumento de mais de 5% no valor da compra da cesta básica.

“As pessoas ganham um salário mínimo, gastam em média 50% da renda com alimentação, entretanto, vão gastar agora 55%. Ela vai ter de tirar de algum lugar”, afirma Constantino.

Os custos de produção de alimentos podem ser influenciados por fatores como dólar, demanda, oferta, aumento das exportações, política de impostos e alto custo do frete. Este último também vem apresentando aumentos significativos, provocando impacto direto no poder de compra.

“As altas constantes no preço do óleo diesel acarretaram o impacto de 5,84% no custo de produção do milho 2ª safra 2021, que foi o maior das últimas quatro safras, segundo a Embrapa. Os custos elevados interferem no resultado financeiro do produtor à medida que pressionam as margens de lucro”, explica a analista técnica do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira.

fonte: correidoestado
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