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Com a maior inflação do País, morador de Campo Grande tem poder de compra reduzido

O índice de Campo Grande fechou o ano passado em 6,85%, enquanto a média nacional foi de 4,52%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de Campo Grande foi o maior do País em 2020.

A inflação oficial foi de 4,52% na média brasileira, enquanto na Capital, a taxa foi a 6,85%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os produtos que mais pesaram no indicador no ano passado foram carnes e gasolina.

Segundo os economistas ouvidos pelo Correio do Estado, o principal impacto para o morador de Campo Grande é a perda do poder de compra.

O doutor em economia Michel Constantino, explica que o índice é resultado do aumento do consumo, entre outros fatores.

“Na Capital, por ser maior, quer dizer que se as pessoas não aumentarem os rendimentos elas vão perder mais o poder de compra do que em média no Brasil. As pessoas em Campo Grande consumiram mais, aumentando a demanda, o que fez com que os preços aumentassem”, diz Constantino e ainda complementa.

“Teve ainda o aumento da gasolina com o reajuste no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Estado, da energia elétrica, com as pessoas mais tempo em casa, entre outros.

Tudo isso contribuiu para diminuir nosso poder de compra. Então, quem manteve o salário igual perdeu o poder de compra, ou seja, não consegue comprar o mesmo que comprava antes”, considera.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, o que mais subiu foi alimentação e bebidas (16,72%), que também é o que tem o maior peso para o índice. Seguido de transportes (6,97%), habitação (6,68%) e artigos de residência (4,31%).

Os maiores acúmulos no ano foram dos subitens: batata-inglesa (95,33%), arroz (75,31%); e óleo de soja (65,85%). “As maiores influências na inflação vieram do item carnes, com acumulado de 25,38% e da gasolina [8,65%]”, informou em nota o instituto.

O doutor em economia e professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Mateus Abrita, destaca que a alta pode pressionar o custo de vida.

“Os preços aqui na Capital subiram mais que na média nacional. Isso pode pressionar o custo de vida aqui. Apesar de subir mais que a média nacional, em termos nominais, não significa necessariamente que [os preços] estão mais caros que em outras capitais, mas sim que subiram mais relativamente”, contextualiza.

O índice do ano passado é o maior registrado para a Capital de Mato Grosso do Sul desde 2016, quando a inflação foi a 7,52%. Em 2017, o IPCA fechou em 2,11%; no ano seguinte (2018) foi a 2,98%; e em 2019 subiu a 4,65%.

“A inflação corrói o poder aquisitivo das pessoas, mas ainda estamos em uma inflação relativamente baixa comparada aos anos anteriores”, pontua o economista Marcio Coutinho.

MENSAL

No ano passado, o IPCA registrou alta nos três primeiros meses do ano, deflacionou em abril e maio e a partir de junho permaneceu em alta, registrando sete meses consecutivos de inflação.

Em dezembro, a Capital também ficou acima da média nacional. Na Capital, o IPCA foi de 1,51%, 0,64 ponto porcentual (p.p.) acima da taxa registrada em novembro (0,87%).

O resultado de dezembro é o segundo maior já registrado desde o início da série histórica, que teve início em 2014, sendo superado apenas por março de 2015 (1,79%). No Brasil, o índice inflacionou em 1,35% no último mês de 2020.

A inflação mede o comportamento de preços por meio de uma série de produtos e serviços.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta em dezembro. A maior variação veio da habitação (2,99%), seguido de alimentação e bebidas, que registrou alta de 2,70%, transportes (1,43%) e artigos de residência (1,1%).

No lado das quedas, o destaque ficou com o grupo comunicação (-0,28%) e educação (-0,19).

Para Constantino, a inflação está controlada. “Culturalmente, a gente pensa que a inflação é negativa, realmente é, mas também é um resultado do crescimento da cidade, das demandas, dos salários, então se as pessoas estão ganhando mais elas naturalmente gastam mais”, diz.

CONTROLE

Os economistas apontam que o consumidor deve organizar os gastos para tentar “driblar” a inflação. E ainda que o crescimento da geração de emprego e renda pode minimizar o peso no bolso das pessoas.

Abrita explica que com mais emprego e aumento da renda e produtividade, o efeito da alta na vida das pessoas seria reduzido.

“Fomento ao investimento público e privado, atração de novos empreendimentos,  sobretudo em setores que empregam mais, políticas que auxiliem no aumento da produtividade também. Com aumento da produtividade é possível implementar uma política de elevação real dos salários de modo sustentável”, conclui.

Segundo Constantino, para as pessoas que tem um rendimento menor, a dica é se reorganizar, trocar os produtos mais caros da alimentação, regrar os gastos com a residência e o transporte.

O que a gente precisa fazer é mudar nosso comportamento de consumo e fazer uma reeducação financeira em que a gente possa trocar alguns produtos, se tiver dois carros utilizar só um, usar a energia elétrica de forma consciente, etc. São hábitos que a gente pode modificar para esse consumo e que, com certeza, fará a diferença em nosso bolso”, finaliza.

“Realmente [a inflação] vai afetar a população mais pobre. A gente precisa reorganizar nosso consumo. Saber que os índices mostram que alimentação está aumentando muito, assim como os  serviços de internet, energia e combustível.

 

fonte: correiodoestado

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