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Com reajustes, gás de cozinha pode ser encontrado a R$ 90 em Campo Grande

Revendedores e consumidores apontam insatisfação com os valores, que variam até R$ 21 na Capital

O botijão de 13 kg é comercializado entre R$ 68 e R$ 90 na Capital, aponta pesquisa – Álvaro Rezende

 

A Petrobras anunciou um novo reajuste no preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, no dia 7 de janeiro.

Entre maio de 2020 e este mês, a estatal reajustou 10 vezes o preço do produto comercializado para as distribuidoras.

Em Campo Grande, o produto chega a R$ 90 e pesa no orçamento de revendedores e famílias.

A alta afeta tanto o preço do gás de cozinha, que é vendido nas refinarias por R$ 35,98 (o botijão com 13 quilos), quanto o GLP a granel, utilizado por indústrias, comércio, condomínios e academias, entre outros.

Em Campo Grande, o preço da revenda do botijão varia até 32%, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Procon municipal.

O maior valor encontrado foi de R$ 90, na região do Monte Castelo, e o menor valor foi encontrado na Vila Serradinho, onde o gás de cozinha é comercializado a R$ 68.

REAJUSTES

Conforme os dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do botijão de 13 kg aumentou 7,5% no intervalo de um ano.

O preço médio do gás de cozinha em Campo Grande passou de R$ 69,66, em janeiro do ano passado, para R$ 74,92, neste ano.

Quando comparado o preço mínimo aferido na Capital, a diferença encontrada é de R$ 10, passando de R$ 57 para R$ 67.

Em Mato Grosso do Sul, de acordo com os dados da ANP, o preço médio praticado pelas revendas era de R$ 71,40 há um ano – variando entre R$ 57 e R$ 95.

Já em janeiro de 2021, o preço médio praticado é de R$ 74,92, indo do mínimo de R$ 67 ao máximo de R$ 88.

O aumento já vem gerando descontentamento entre os revendedores, que terão de aumentar o preço dos botijões, como conta Valdete Naiara, proprietária de um estabelecimento de revenda de gás em Campo Grande.

“As vendas caíram bastante. As pessoas antes compravam o gás e abasteciam o botijão reserva, e isso não acontece mais. Estamos vivendo um momento complicado, muitas pessoas reclamam da falta de dinheiro e sentimos isso na procura pelos nossos produtos”, explicou.

Para Wagner Bianchi, proprietário de um estabelecimento, a população se mostra bastante insatisfeita com os diversos reajustes em um curto período de tempo.

“A nossa situação está ficando cada vez mais difícil, muitos clientes reclamam dos valores e do número excessivo de reajuste, mas não tem o que fazer. Não temos como segurar o repasse de reajustes, as distribuidoras passam para nós imediatamente. A população está sentindo o impacto no bolso”, disse Bianchi.

De acordo com a prévia do Índice Geral de Preços ao Consumidor (IPCA-15), em 2020, o preço do gás de cozinha subiu 8,3%, enquanto o gás encanado caiu 1,09% e o gás veicular recuou 1,29%. A alta do botijão é quase o dobro da inflação prevista para o período, de 4,23%.

A Petrobras fica com 46% do preço do produto, enquanto distribuição e revenda respondem por 36% e 18% se referem a impostos. Nas refinarias, o aumento chegou a 21,9% no ano passado.

CONSUMIDORES

A dona de casa Marilda Soares, 47 anos, vende diariamente cerca de 40 salgados.

Com a pandemia, ela decidiu se concentrar na venda de quitutes para aumentar a renda da casa, onde vive com três filhos. O preço do gás de cozinha, no entanto, tem assustado a comerciante.

“Nunca na vida paguei gás como estou pagando hoje. Antigamente, a gente comprava por R$ 50, R$ 40, e hoje só Deus sabe o que vai ser da gente daqui para frente, porque a gente trabalha só para pagar conta”, aponta a dona de casa.

A auxiliar de farmácia, Sônia Mendonça, 37 anos, reclama dos diversos aumentos de preço do botijão de gás e ressalta que os salários não passam por nenhum reajuste.

“Eu acho um absurdo, porque meu salário não aumenta. Toda semana tem um aumento diferente, seja nos alimentos, gasolina ou no gás de cozinha. É necessário pensar na sociedade como um todo”, afirma.

BAIXA DE PREÇOS

Em abril de 2019, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ser necessário “quebrar” o monopólio da Petrobras sobre o refino do petróleo e a distribuição.

“Daqui a dois anos, o botijão vai chegar pela metade do preço na casa do trabalhador brasileiro. Vamos quebrar os monopólios e baixar o preço do gás e do petróleo”, disse o ministro do governo Bolsonaro na época.

Em setembro de 2020, Guedes voltou a dizer que os preços do gás de cozinha cairiam até 30% após a aprovação da Lei do Gás. Segundo ele, a abertura do mercado do gás no Brasil vai baratear o produto ao consumidor final.

“Com a ajuda do ministro Bento [Albuquerque], nós estamos aprovando a Lei do Gás Natural. E aí vai haver um choque de energia barata. Esperamos que o gás caia 20%, 30%, pelo menos”, afirmou Guedes.

Segundo dados da ANP, há cinco anos, o produto era revendido a R$ 47,43. (Colaborou Súzan Benites)

 

fonte: correiodoestado
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