Escoamento do milho pode ser prejudicado por alta do diesel e falta de caminhoneiros

O litro do combustível ficou 63% mais caro em um ano no Estado; 2 mil profissionais do transporte abandonaram a ocupação

Mato Grosso do Sul já registra 179.280 hectares de milho colhidos, o que representa 9% da área total – MARCELO VICTOR

 

O aumento do preço do óleo diesel, o custo do frete e a redução no número de caminhoneiros podem influenciar negativamente no escoamento da produção do milho segunda safra.

Em um ano, o preço do litro do diesel subiu R$ 2,85 em Mato Grosso do Sul. Segundo a pesquisa semanal de preço da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana terminada no sábado (9), o litro do combustível atingiu média de R$ 7,33 no Estado.

Esse valor está 63,61% acima do cobrado há um ano, na semana entre 4 e 10 de julho de 2021, quando o diesel era comercializado a R$ 4,48.

O preço do frete é influenciado em 40% pelo custo do diesel e, com as altas seguidas do combustível, essa variável está atingindo até 60% e podendo chegar a 70%, dependendo das condições de compra.

Com a alta nos preços, o que preocupa o setor produtivo estadual agora é mais um aumento no preço de custo. Conforme noticiado na edição de 28 de abril do Correio do Estado, o preço do frete subiu 43,5% em algumas rotas do Estado no período de três meses para o escoamento da safra de soja.

No mês seguinte, os preços voltaram a cair, e em maio já era possível notar queda de 35% no preço praticado, por conta da baixa demanda pelo serviço. O preço do barril de petróleo Brent, o mais comercializado no mercado internacional, teve alta de 41,50% no mesmo período. Isso porque, no último mês, a commodity caiu 10,55%, com temores de recessão da economia global.

PROFISSIONAIS

Com essa alta vertiginosa do preço do combustível e com a variação grande no preço praticado no frete, alguns profissionais deixaram o mercado.

Segundo números do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS), MS tinha 19 mil caminhoneiros autônomos cadastrados na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) até 2020. Com a pandemia e as altas do diesel no último ano, o número caiu para 17 mil.

Osni Belinati, presidente do Sindicam-MS, acredita que deve faltar motoristas para fazer o transporte da segunda safra. “Porque temos poucos caminhões pequenos para transportar. A maioria está muito endividada e não tem como continuar trabalhando. Temos caminhões da década de 1950 rodando, e o governo não faz nada para ajudar a financiar uma frota nova”.

Ele comenta que tudo depende das condições climáticas do período de colheita. “Dependendo do tempo, se estiver bom, não deve atrapalhar muito, mas se chover, o bitrem não consegue entrar no meio da colheita”.

Belinati diz que muitos caminhoneiros têm registrado prejuízos, e isso desestimula a classe. “As dificuldades são muito grandes. Agora tem o voucher do governo e tem gente que pensa que é um dinheirão, mas não troca nem um pneu”, completa.

Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Cargas do Estado de Mato Grosso do Sul (Sindicargas-MS), Gilmar Ribeiro, a alta força profissionais a pararem, e a pressão também existe sobre as pequenas e médias transportadoras.

“Com a alta do combustível, o transportador é prejudicado, e atreladas ao valor do frete estão despesas de folha, manutenção, diesel, altas de produtos e de insumos. O transportador que tiver condição vai parar o caminhão se estiver perdendo dinheiro, e isso faz as empresas demitirem”, detalha Ribeiro.

RUMOS

De acordo com o agrônomo e consultor João Pedro Dias, esse gasto ainda é um problema para o produtor rural, mas gradativamente a logística está mudando em Mato Grosso do Sul.

“Tínhamos 80% de transporte por via rodoviária, era uma infinidade de carretas indo até os portos. Hoje isso está mudando. Os caminhões vão até um terminal hidroviário e descarregam ali, e esse milho vai até um porto e é levado por navios para o mercado exterior”, explica.

Para o consultor, é preciso que a diversificação da logística de escoamento da produção seja cada vez mais incentivada, para diminuir a dependência do transporte rodoviário.

“Atualmente, o Porto de Santos é o grande exportador de grãos, por exemplo, porque a ferrovia leva até lá. Portanto, a grande questão para o futuro é incentivar ferrovias e hidrovias para aumentar e investir na malha. Isso sim é progresso, agilidade e garantia para empresa e produtores”, finaliza.

Apesar de não ser um modal diferente, a implantação do Corredor Bioceânico nos próximos anos pode diminuir o custo do frete para exportação em até 12%, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de MS (Setlog-MS). A rota vai ligar os oceanos Pacífico e Atlântico, percorrendo quatro países: Brasil, Argentina, Paraguai e Chile.

SAFRA

Os preços dos fretes devem encarecer conforme o avanço da colheita do cereal. Até o dia 8 de julho, a colheita do milho 2ª safra 2021/2022 atingiu 9% da área total produzida no Estado (ou 179.280 hectares), de acordo com o boletim da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MS).

Entre as regiões, a colheita mais avançada é a do norte de MS, que já retirou 28,6% da produção dos campos.

Na sequência, a região central de Mato Grosso do Sul atingiu 12,1% do território semeado, e a região sul registra 4,4% do total colhido.

A estimativa de área para o milho 2ª safra é de 1,992 milhão de hectares, retração de 12,6% em relação à área destinada ao cereal na safra passada. A produtividade estimada é de 78,13 sacas por hectare, gerando uma expectativa de produção de 9,34 milhões de toneladas. (Colaborou Súzan Benites)

17 mil trabalhadores autônomos

Segundo números do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS), o Estado tinha 19 mil caminhoneiros autônomos cadastrados na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) até 2020. Com o impacto da pandemia e, posteriormente, os aumentos consecutivos no preço do óleo diesel, o número caiu para 17 mil.

fonte: correiodoestado
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