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Idosos aproveitam horário especial de compra e dão lição em momento de pandemia

Em estabelecimento que criou faixa de horário específico, clientes mais velhos alertam contra a correria pelas compras

Idoso chega em mercado que criou horário diferenciado com máscara e a mão protegida por saco plástico (Fotos: Marcos Maluf)

Há 7 dias a professora Maira Rezende, de 70 anos, não saia de casa. Rompeu a quarentena nesta sexta-feira para ir ao mercado, depois de saber nas redes sociais que a única unidade do Pão de Açúcar em Campo Grande havia criado horário diferenciado, das 6h às 7h, para atender aos mais velhos, considerados o principal grupo de risco, como parte dos esforços de prevenção ao contágio do novo coronavírus.

“Estou muito assustada”, admitiu Maira, paramentada de máscara, assim como o marido. Os dois ficaram bem pouco no estabelecimento, o tempo suficiente para fazer a “compra da semana”.

Ambos tiveram o cuidado de envolver as mãos em saquinhos plásticos para não ter contato direto com os produtos. Segundo a idosa, já estavam faltando itens em casa e, por isso, ao descobrir o horário específico nesta loja, ficou mais aliviada.

A preocupação da senhora era tanta que ela questionou funcionárias se os carrinhos haviam sido higienizados. A resposta foi positiva, mas uma nova limpeza foi feita, por via das dúvidas.

O médico Antônio Perez, 68 anos, foi outro que aproveitou o novo horário para as aquisições da semana. Sem máscara, usada por ele apenas em ambiente hospitalar, Perez foi o primeiro cliente a chegar.

O médico Antônio Perez defende “coerência humanitária” na hora das compras.
É grave – Com conhecimento de quem trabalha na área, disse que o momento é preocupante e que a população deve obedecer as orientações. “ A coisa é grave”, definiu. Para ele, Campo Grande está agindo em hora oportuna, com as medidas restritivas à circulação de pessoas, para evitar aglomerações.

A compra do médico foi só dos itens básicos para a semana, explicou. Ele defendeu que neste momento é preciso ter “coerência humanitária, de comprar mais que o necessário”.

Também foi feito comentário nesse sentido pela assistente social Evanir Albuquerque, 70 anos. “Não vejo porque disso”, afirmou, em relação a pessoas que estão estocando alimentos e produtos de limpeza e provocando correria nos mercados.

Evanir também se mostrou assustada com a pandemia. “Antes você tinha que ter medo de bicho, agora tem que ter medo de gente”, analisou.

Sem utilizar máscara de proteção, ela explicou que ao chegar em casa, procura tirar as roupas utilizadas, tomar banho e lavar bem as mãos.

A rotina de Evanir teve mudança significativa por causa da prevenção à nova doença. Antes, ela ajudava com o atendimento no pet shop do filho, mas foi “expulsa” por ele, para evitar a exposição ao contágio.

A fiscal de caixa da unidade do Pão de Açúcar Cleusa Medida Escobar, explicou que a intenção era abrir a loja das 6h às 7h só para os idosos e que houve pequeno atraso hoje, de cerca de 15 minutos, em razão da demora no transporte coletivo usado pela maioria dos funcionários, ainda em fase de aptação à mudança.

 Ela garantiu que, para atender a clientela considerada grupo de risco, estão sendo adotados todos os protocolos definidos pelo Ministério da Saúde. O álcool em gel pode ser visto em todos os caixas em áreas como a padaria, bastante procurada neste horário.

De acordo com a funcionária, foi autorizado uso de máscara, mas o entendimento é de que ela assusta o cliente, em razão da orientação geral de só ser usada por quem está doente ou em ambiente com alguém que contraiu o vírus.

Segundo ela, a orientação é de receber apenas os clientes idosos nesse horário.

 

fonte: campograndenews
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