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Logística pode ser entrave do Estado para exportação de minério em 2021

Com seca dos rios, hidrovia fica inviável e projetos de retomada das ferrovias não devem avançar neste ano

Escoamento da produção estadual sobrecarrega as rodovias do Estado – Álvaro Rezende

 

De janeiro a novembro de 2020, Mato Grosso do Sul exportou 1,950 milhão de toneladas de minério de ferro, queda de 39% em relação ao mesmo período de 2019 – quando foram enviadas 3,216 milhões de toneladas ao exterior.

Segundo a gestão estadual, a logística foi o principal entrave no ano passado e deve continuar sendo neste ano.

Os caminhos possíveis para desafogar o envio do produto ao exterior seriam as hidrovias e ferrovias, mas não há avanços previstos para este ano.

Em valores, segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/MDIC), o minério enviado ao exterior resultou em US$ 77 milhões negociados nos 11 meses de 2020, ante US$ 129,483 milhões no mesmo período do ano anterior – queda de 40,53%.

Segundo o titular da secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, Mato Grosso do Sul tem se destacado com soja, milho e carne e tem uma perspectiva positiva para o minério em 2021.

“O minério realmente está com patamares elevados, se não tivéssemos essa questão da redução do calado do rio, o ano passado poderia ser melhor. A gente acha que para este ano teremos a retomada lá por fevereiro ou março da navegação em estruturas normais, e isso poderia potencializar o minério”, explicou.

Verruck ainda aponta que o desgaste das rodovias é intenso com a exportação do minério de ferro.

“Estamos tendo de tirar todo esse minério em caminhões, fazendo uma pressão muito grande nas nossas BRs. Mas teremos uma retomada do mercado internacional do minério neste ano, assim como em 2020 tivemos a retomada do mercado internacional de açúcar”, concluiu.

Apesar da perspectiva positiva, em 2021 a retomada do transporte ferroviário não terá avanços e a seca nos rios pode se repetir e impactar em menor envio de cargas por via fluvial.

RODOVIAS

Com a intensificação do envio de cargas por meio das BRs o desgaste e a manutenção exigem maior empenho financeiro. A BR-262, por onde o minério deixa Corumbá rumo aos portos, não tem previsão de duplicação, passando apenas por manutenções.

O coordenador da bancada federal de Mato Grosso do Sul no Congresso, Nelson Trad (PSD), diz que os deputados e os senadores estão focados em projetos que preveem melhorias nas rodovias.

“Prova disso, são os projetos aprovados e apresentados pela bancada federal e que já estão empenhados pelo Governo Federal. Entre eles: a conservação e recuperação de ativos da infraestrutura da União em MS e a construção do anel rodoviário em Três Lagoas [BRs 262 e 158]”, diz.

O senador ainda enfatiza que o avanço da Rota Bioceânica é o foco da bancada, porque acredita que ela “transformará a questão logística do Estado e do País”.

Ainda de acordo com Trad, em 2020, foram R$ 20 milhões em emendas para as obras do corredor com a adequação de capacidade da BR-267, do km 577 ao km 678,10; intervenções de adequação de plataforma da pista com implantação de 212.150 m² de acostamentos; implantação de 10,62 km de faixas adicionais; entre outras obras.

HIDROVIASO economista Normann Kallmus informou ao Correio do Estado que o frete com o transporte hidroviário é 25% menor que o envio de produtos por meio de caminhões.

“Com o embarque pelas hidrovias, o frete fica 25% menor e faz com que nosso produto seja mais competitivo”, explicou.

No ano passado, o Rio Paraguai enfrentou a pior seca dos últimos anos. Com o baixo calado (profundidade), as embarcações ficaram sem condições de navegar.

Os portos de Corumbá, Ladário e Porto Murtinho precisaram suspender as operações hidroviárias. O Estado deixou de movimentar 50% do volume previsto de cargas de grãos e minério de ferro pela hidrovia em 2020.

Segundo o meteorologista Natálio Abraão, as chuvas no Pantanal e da região oeste do Estado ficaram 27% abaixo do esperado.

“Na bacia do rio Paraguai, nas cabeceiras onde se avalia as chuvas, também ficaram abaixo do esperado. Em Pontes de Lacerda (MT) choveu pouco”, explica e complementa.

“Este ano não será tão rigorosa [a seca], mas não há previsão de regularidade. Estamos com o evento La Niña e a tendência é de persistir ainda esta condição. Haverá uma pequena recuperação, que não será suficiente para restabelecer a normalidade na bacia”, concluiu.

FERROVIAS

A retomada do transporte ferroviário também facilitaria o escoamento de cargas, como o de minério e os grãos, por exemplo. Mas, segundo o cronograma apresentado pelo governo, neste ano não haverá avanços.

No início de dezembro passado, reunião com o Conselho do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) qualificou o projeto de relicitação da concessão da ferrovia Malha Oeste, trecho de Mairinque (SP) até Corumbá (MS).

Conforme cronograma apresentado, o edital da relicitação da antiga Noroeste do Brasil, será apresentado no quarto trimestre de 2022 e o leilão, no primeiro trimestre de 2023.

O outro trecho ferroviário, da Nova Ferroeste, que fará a ligação de Mato Grosso do Sul ao porto de Paranaguá, no Paraná, tem leilão previsto para novembro de 2021.

O convênio foi firmado entre Paraná e MS em agosto, já na segunda quinzena de dezembro, os governadores apresentaram a evolução do projeto.

O estudo de Viabilidade Econômica e Ambiental (Evetea) definiu a capacidade de carga com potencial de 40 milhões de toneladas a serem exportados por meio da Ferroeste.

A próxima etapa do projeto será a contratação do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima).

 

fonte: correiodoestado
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