Home / Destaques / Remédios ficam 4,88% mais caros; medida prejudica os mais pobres

Remédios ficam 4,88% mais caros; medida prejudica os mais pobres

No dia em que o novo auxílio emergencial foi oficializado, medicamentos subiram; economista vê “cobertor curto”

FARMÁCIAS. O preço dos remédios já está autorizado a subir desde ontem; alta dependerá dos fabricantes e revendedores – Foto: Álvaro Rezende

 

 

No mesmo dia em que o Congresso anunciou a promulgação da nova rodada do auxílio emergencial, o comitê técnico da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed), órgão vinculado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANS), autorizou o reajuste de até 4,88% no preço dos remédios.

O doutor em economia Mateus Abrita classifica a decisão governamental como “situação do cobertor curto, ou seja, você cobre de um lado e acaba descobrindo de outro”.

Conforme o texto publicado no Diário Oficial da União, as indústrias farmacêuticas já podem aplicar os aumentos, mas, na prática, as farmácias só costumam repassá-los quando produtos comprados nas tabelas mais caras estiverem disponíveis nas prateleiras.

Esperava-se que a publicação da medida saísse somente em 15 dias, já que a data do reajusta é 31 de março. Contudo, não há informações sobre o motivo da antecipação. A decisão foi tomada durante a primeira reunião extraordinária do órgão, que foi realizada na sexta-feira, dia 12 de março.

A regulação é válida para as mais de 19 mil substâncias comercializadas em solo brasileiro. O último reajuste havia sido feito em junho do ano passado, na ordem de 5,21%.

Abrita explica que os medicamentos, com combustíveis e alimentos, são aqueles produtos do tipo demanda inelástica, ou seja, mesmo com os preços subindo, as pessoas não têm como deixar de comprá-los porque tem uma alta essencialidade. Eles também não podem ser substituídos por similares.

“Desse modo, o reajuste do preço dos medicamentos acaba afetando diretamente, sobretudo os mais pobres. Como eles não têm muito para onde ‘correr’, a renda familiar disponível acaba sendo afetada”, pontua.

O doutor em economia recorda que, por outro lado, um excesso de intervenções nos preços pode resultar em desequilíbrios e desabastecimento, como já aconteceu em algumas ocasiões no passado, mas afirma que é importante uma articulação da sociedade civil, estado e o setor para encontrar soluções consensuais.

“Isso evidencia ainda mais a necessidade de um auxilio emergencial adequado para essa situação grave que enfrentamos”, pontua.

Além disso, os próprios impactos para a área da saúde devem ser considerados.

Na avaliação do doutor em economia, caso as famílias não consigam fazer seus tratamentos medicamentosos adequados, isso pode, em um segundo momento, até aumentar o impacto no SUS, na medida em que enfermidades podem agravar, lembrando que atualmente a rede hospitalar já está beirando o caos por conta da demanda gerada pelo aumento na quantidade de casos de pacientes graves com Covid-19 que estão internados.

Há de ressaltar também que o próprio poder público é cliente da indústria farmacêutica ao comprar os medicamentos que disponibiliza de graça à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

NEGOCIAÇÕES

Em março do ano passado, em meio à primeira onda da pandemia da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a negociar com a indústria farmacêutica uma suspensão de 60 dias na divulgação do reajuste anual do setor. O pedido foi atendido e só veio a ser confirmado em junho seguinte, na ordem de 5,21%.

O Correio do Estado tentou contato com o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Mato Grosso do Sul (Sinprofar-MS) para obter uma previsão de quanto os consumidores sentirão um impacto real no bolso com a medida, mas as ligações não foram atendidas.

 

 

fonte: correiodoestado
Espalhe por ai:

Veja Também

Prêmio de 40 milhões da Mega-Sena tem uma aposta vencedora

Uma única aposta acertou os seis números do concurso 2363 da Mega-Sena realizado neste sábado (17) ...

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.